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Atlas digital de histologia de zebrafish (Danio rerio)

Danio rerio (Hamilton, 1822), é um pequeno peixe teleósteo (3 – 4 cm) de água doce que pertence à família Cyprinidae.  É conhecido pela comunidade científica internacional como Zebrafish, devido as listras longitudinais que possui ao longo do maior eixo do corpo. No Brasil também é conhecido como paulistinha e peixe-zebra. Zebrafish tem sido utilizado como modelo animal experimental para o estudo de várias doenças humanas, principalmente pelos custos com sua criação e manutenção serem bem abaixo com os custos dispensados com os roedores. Além disso, seu manejo simplificado e a facilidade de reprodução fazem com que Zebrafish seja um modelo animal cada vez mais utilizado em várias linhas de pesquisas científicas. Outros fatores que tem sido levados em consideração é sua semelhança genética de 70% quando comparado aos humanos e a transparência de seus embriões nas fases iniciais do desenvolvimento, além das semelhanças fisiológicas e histológicas com mamíferos. Nosso grupo pertence a Área de Histologia e Embriologia Departamento de Biologia Animal, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro -UFRRJ e desde 2016 iniciamos pesquisas com esse modelo animal. Nosso objetivo com a organização do Atlas digital de histologia de zebrafish é compartilhar parte de nosso acervo de lâminas com alunos e professores interessados no assunto. Esperamos, contribuir com toda a comunidade científica interessada na histologia do o Zebrafish. O fator motivador desse projeto, foi principalmente o interesse manifestado por alunos e professores ligados à Pós Graduação e à pesquisa com a histologia desse promissor modelo animal que temos tido a oportunidade de conhecer em Congressos e Eventos.

 

Cavidade bucal

A cavidade bucal  é a parte inicial do sistema digestório. Em Zebrafish, costuma  ser dividida em três partes: região externa, que contém a parte externa dos lábios,  região intermediária , que possui duas valvas semilunares (ou lábios internos) que controlam a entrada da água na boca, e a região interna que contém o palato e a língua, que é  pouco desenvolvida.  A parte externa do lábio é revestida por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. Em todas as regiões da cavidade bucal, há células produtoras de glicoproteínas (muco).

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Faringe e Brânquias

Em continuidade com a cavidade oral há a faringe com formato de tubo estreito ladeado externamente pelas brânquias. As brânquias de zebrafish desempenham um papel importante na oxigenação do sangue. A água passa através da boca, chega às brânquias e sai pelos opérculos. O fluxo da água é direcionado por expansão e contração alternada das câmaras bucal e opercular. O sangue chega às brânquias via artérias aferentes nas lamelas primárias para os espaços vasculares das lamelas secundárias, onde o CO2 é liberado e o O2 é capturado. As lamelas secundárias são revestidas por uma camada de células epiteliais. O sangue oxigenado sai das lamelas secundárias via artérias eferentes, alcançam a aorta dorsal por onde é distribuído a todos os tecidos. Além do papel na oxigenação do sangue, as brânquias também desempenham papel importante no equilíbrio ácido-base, osmoregulação e excreção de produtos do metabolismo.

Esôfago

Em continuidade com a faringe, há uma área diferenciada denominada esôfago. O esôfago de Zebrafish, compreende: o saco esofágico, os dentes e a almofada faríngea. O saco esofágico possui inúmeros sulcos. No lado oposto ao saco esofágico encontramos a almofada faríngea. O saco esofágico possui inúmeras reentrâncias (sulcos) nas quais encontramos os dentes. A almofada faríngea, é revestida por epitélio estratificado pavimentoso queratinizado. Essa estrutura atua como base contrária aos dentes para maceração do alimento, sendo o saco esofágico descrito como o primeiro local da digestão enzimática.

Intestinos, fígado e pâncreas

O intestino do zebrafish é um tubo dobrado que ocupa a maior parte da cavidade abdominal. Pode ser dividido em três segmentos: bulbo intestinal, intestino médio e intestino posterior, que podem ser diferenciados pela sua forma, densidade de células caliciformes e tamanho das projeções do epitélio e lâmina própria (vilosidades) presentes ao longo do intestino. O epitélio que reveste cada vilosidade é simples cilíndrico com células produtoras de muco. A camada externa da parede do órgão é composta por uma camada delgada de fibras musculares lisas.

O fígado de zebrafish é um órgão volumoso, que se encontra próximo ao pâncreas e ao intestino. Em sua estrutura histológica, observamso placas de hepatócitos, assim como os capilares sinusóides característicos do fígado dos mamíferos, porém o parênquima hepático não se organiza-se em lóbulos diferenciados.

O pâncreas de zebrafish, localiza-se entre o intestino e o fígado, e possui parte endócrina e exócrina como nos mamíferos. O componente endócrino do pâncreas, organiza-se na forma de ilhotas pancreáticas e consistes em um agrupamento de células menos coradas.

Rim

Zebrafish possuem rim mesonéfrico único, alongado e achatado, na parede dorsal da cavidade corporal.  O rim possui néfrons drenam para um ducto coletor central. Nos indivíduos adultos, cada néfron possui túbulos proximais e distais e túbulo coletor, porém não apresentam alça de Henle, estrutura que nos mamíferos está relacionada à concentração da urina. No interstício renal, há células hematopoéticas.

Órgão olfatório

O sistema olfatório dos peixes, detecta e discrimina uma gama de odores importantes do comportamento de forrageio, reprodução e avaliação de situações de perigo. Além disso, por ser um órgão periférico, o órgão olfatório é vulnerável à exposição direta de poluentes, metais pesados e substâncias químicas . O sistema olfatório de zebrafish é formado por duas principais estruturas: um par de órgãos olfatórios ou rosetas e os bulbos olfatórios. Os órgãos olfatórios localizam-se no interior da cavidade nasal que recebe fluxo contínuo de água enquanto o peixe se movimenta.

Tireóide

A tireóide de zebrafish, assim como nos mamíferos é formada por folículos. Esses folículos são arredondados e revestidos por epitélio cúbico. Os folículos tireoidianos de Zebrafish distribuem-se ao longo da aorta ventral.

Coração

Zebrafish possui seu coração situado anteriormente à maior cavidade corporal e ventral ao esôfago. Quando comparado ao coração dos mamíferos (que possui quatro câmaras), notamos que o coração de Zebrafish possui apenas duas câmaras, um átrio e um ventrículo. O sangue chega ao coração através de um trato de entrada (seio venoso) e  sai através  do bulbo arterioso (trato de saída). O sangue desoxigenado chega ao coração através do seio venoso,  passa para o átrio e na sequência chega ao ventrículo. A parede do ventrículo é mais espessa que a do átrio. O ventrículo possui uma camada externa com músculo cardíaco organizado de forma mais compacta (camada compacta) e na parte interna essas células organizam-se mais frouxamente (camada trabeculada ou esponjosa). A contração do ventrículo faz com que o sangue seja direcionado para o bulbo arterioso. O bulbo arterioso possui uma espessa camada fibroelástica. O sangue será levado até as brânquias para ser oxigenado.

Pele

A pele do zebrafish é coberta por escamas ciclóides que conferem uma barreira de proteção física, importante tanto para a osmorregulação quanto para defesa contra patógenos. Apresenta uma cobertura epitelial (epiderme) e uma camada de tecido conjuntivo (derme). Entre essas camadas, há a membrana basal.

Bibliografia

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